DESEMBRULHO

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Sin existencias

Dos jovens poetas do inicio do CEP 20mil, nos anos 90, Pedro Rocha é o que melhor mostrou os caminhos e a qualidade da poesia que mais uma vez desemboca em publicação, nesse de sembrulho.
Seu primeiro livro 11 (Onze), 2002 editora axougue – numero de sigilo, com muitos significados tal a camisa do pon ta-esquerda ou o somatório de dois inicios, 1 e 1, e outras con jecturas. Identifico-me com sua leitura de Ferreira Gullar em A Luta Corporal, pois suas quebras nos levam, lava o poeta, para as artes plásticas: o Neoconcretismo. Quando vemos o mundo como composto de deslocamentos, quebras e recomposições, o olhar amplia: não cabe apenas o linear. Esta prática continua neste livro como no poema Último Poema.
Pedro é um constante explorador de modos de fazer. De 2016 para cá já trabalhou com diversas técnicas gráficas, sempre com profunda aplicação, Xilogravura, gravura em metal, matriz perdida, carimbos, frotagem, decalques e outras traquinagens como a que ele intitula lixogravura – utiliza embalagens descar- tadas como matrizes que são entintadas e pressionadas contra o papel. A gravura e a própria máquina de escrever deixam uma carga singular no papel, uma memória visível, um esforço. Ele mesmo escreve: A memória de que alguém esteve ali, conectado àquela folha por uma engrenagem de ferro, arame, metal, vidro, tinta, tecido, óleo, borracha, nylon, cartolina, graxa e plástico fa- zendo força por um poema. É poeta da mão e também da fala. Adorei ter o QRCode no livro, o que possibilita direto alcance à poesia falada experimental: Diamante Dinamite, Relata, No Mueras Números. Despertou-me também a definição da possibilidade de a poesia ser uma cicatriz descrito em seu manifesto Poematoma e que fica muito evidente em Poematoma nº3 e também do poema que se debruça sobre o Eneagrama, ou ainda a Op Art que vem na sequência do poema Um Poema e o Conversa Consrva. Deve-se mencionar também a vertente concreta como em Raquear Arquear, mais uma de tantas construções.
Já no FalaPalavra, que organizou no fim de 1999, Rocha propôs que cada um do grupo levasse sua máquina de escrever e que fizéssemos coletivamente e ao mesmo tempo a sonoridade da escrita, o som da tecla batendo no cilindro como número de musica concreta para a abertura do espetáculo. O uso desta ferramenta – máquina de escrever – sempre foi para ele algo mais do que o resultado no papel. Por uma singela lembrança de uma escrita inicial de 1990, guardada ao acaso e publicada agora na abertura deste livro, como uma epígrafe fóssil após mais de 30 anos, aqui está demonstrada onde sua inquietude o levou.
Pedro, no seu texto introdutório Nota para desembrulho nos dá uma perspectiva e introdução à sua poesia visual e arte datilográfica. É um texto perfeito. Esta orelha apenas acresce al- gumas observações para aguçar o desejo da captação de obra tão importante para a contemporaneidade da poesia latino-ameri- cana.

SKU: 978-650107672-0
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Peso 0,3 kg
Dimensiones 22,0 × 29,8 cm
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